Preparando-se para o Casamento – O Inigualável Objetivo: O Casamento Vivido para a Glória de Deus!

Meu tópico para este capítulo é “O casamento vivido para a glória de Deus”. A palavra decisiva neste tópico é a palavra “para”. “O casamento vivido para a glória de Deus”. O tópico não é: “A glória de Deus para a vivência do casamento”. E não: “O casamento vivido pela glória de Deus”. Mas: “O casamento vivido para a glória de Deus”.
                Esta palavrinha “para” significa que existe uma ordem de prioridade. E existe uma ordem de centralidade. E a ordem é clara: Deus é central, não o casamento. Deus é a Realidade mais importante; o casamento é menos importante — muito menos importante, infinitamente menos importante.
                O casamento existe para magnificar a verdade, o valor, a beleza e a grandeza de Deus; Deus não existe para magnificar o casamento. Até que esta ordem seja vívida e valorizada — até que ela seja vista e saboreada — o casamento não será experimentado como uma revelação da glória de Deus, mas como um rival da glória de Deus.
                Eu considero meu título, “O casamento vivido para a glória de Deus,” como uma resposta para a pergunta: Por que o casamento? Por que e existe o casamento? Por que vivemos em casamentos?
                Isso significa que meu tópico é parte de uma pergunta maior: Por que todas as coisas existem? Por que você existe? Por que o sexo existe? Por que a terra, o sol, a lua e as estrelas existem? Por que os animais, as plantas, os oceanos, as montanhas, os átomos e as galáxias existem?
                A resposta para todas estas perguntas, incluindo aquela sobre o casamento é: Todas estas coisas existem para e pela glória de Deus. Ou seja, elas existem para magnificar a verdade, o valor, a beleza, e a grandeza de Deus. Não como um microscópio magnifica, mas como um telescópio magnifica.
                Microscópios magnificam fazendo coisas pequenas parecerem maiores do que são. Telescópios magnificam fazendo coisas inimaginavelmente grandes parecerem como elas de fato são. Microscópios movem a aparência do tamanho para longe da realidade. Telescópios movem a aparência do tamanho em direção à realidade.
                Quando digo que todas as coisas existem para magnificar a verdade, o valor, a beleza e a grandeza de Deus, quero dizer que todas as coisas — e o casamento em especial — existem para mover a aparência de Deus nas mentes das pessoas em direção à Realidade.
                Deus é inimaginavelmente grande, infinitamente valioso e incomparavelmente belo. “Grande é o SENHOR e mui digno de ser louvado; a sua grandeza é insondável” (Sl. 145:3, ARA). Tudo o que existe tem por objetivo magnificar esta Realidade. Deus clama através do profeta Isaías (43:6-7, ARA): “Trazei meus filhos de longe e minhas filhas, das extremidades da terra, a todos os que são chamados pelo meu nome, e os que criei para minha glória” (ênfase adicionada). Fomos criados para demonstrar a glória de Deus. Paulo conclui os primeiros onze capítulos de sua grande carta aos Romanos com a exaltação a Deus como a fonte e o fim de todas as coisas: “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (11:36, ARA, ênfase adicionada). Ele torna isso ainda mais claro em Colossenses 1:16, onde ele diz: “[Em Cristo], foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra … tudo foi criado por meio dele e para ele” (ênfase adicionada).
                E ai de nós se pensamos que “para Ele” significa “para Sua necessidade”, ou “para Seu benefício”, ou “para Seu desenvolvimento”. Paulo deixou claro como água em Atos 17:25 que Deus não é “servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais” (ARA). Não, o termo “para Sua glória” e “para Ele” significa “para a demonstração de Sua glória”, ou “para o testemunho de Sua glória”, ou “para a magnificação de Sua glória”.
                Precisamos deixar isso entrar em nossas mentes. Houve um tempo em que havia Deus, e apenas Deus. O universo é Sua criação. Ele não é coeterno com Deus. Ele não é Deus. “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus… Todas as coisas foram feitas por intermédio dele” (João 1:1, 3, ARA). Todas as coisas. Tudo o que não é Deus foi feito por Deus. Então houve um tempo em que havia apenas Deus.
                Portanto, Deus é a absoluta Realidade. Nós não somos. O universo não é. O casamento não é. Nós somos derivados. O universo é de importância secundária, não primária. A raça humana não é a realidade última, nem o valor último, nem o último medidor do que é bom ou o que é real ou o que é belo. Deus o é. Deus é o único e último absoluto em existência. Todo o resto vem d’Ele, através d’Ele, e para Ele.
                Este é o ponto inicial para entender o casamento. Se entendermos isso errado, tudo segue errado. E se entendemos isso certo — realmente certo, em nossas mentes e em nossos corações — então o casamento será transformado por isso. O casamento se tornará o que ele foi criado para ser — uma demonstração da verdade, do valor, da beleza e da grandeza de Deus.
                Isto leva a uma conclusão muito simples — tão simples e ainda assim tão extensa. Se queremos ver o casamento ter o lugar no mundo e na igreja que ele deve ter — ou seja, se queremos que o casamento glorifique a verdade, o valor, a beleza e a grandeza de Deus — devemos ensinar e pregar menos sobre casamento e mais sobre Deus.
                A maioria dos jovens hoje não trazem ao seu namoro e casamento uma grande visão de Deus — quem Ele é, como Ele se parece, como Ele age. No mundo quase não há visão de Deus. Ele sequer está na lista de convidados. Ele é simples e impressionantemente omitido. E na igreja a visão de Deus que os jovens casais trazem para seus relacionamentos é tão pequena ao invés de grandiosa, e tão marginal ao invés de central, e tão vaga ao invés de clara, e tão impotente ao invés de determinante, e tão desinteressante ao invés de encantadora, que quando eles se casam, o pensamento de viver o casamento para a glória de Deus é sem significado e sem conteúdo.
                O que a “glória de Deus” significa para uma jovem esposa ou um jovem marido que não dedica quase nenhum tempo para conhecer a glória de Deus, ou a glória de Jesus Cristo, Seu Filho divino…
  • a glória de Sua eternidade que faz a mente querer explodir com o infinito pensamento de que Deus nunca teve um começo, mas simplesmente sempre existiu;
  • a glória de Seu conhecimento que faz a Biblioteca do Congresso parecer uma caixa de fósforos e física quântica parecer um leitor de primeira série;
  • a glória de Sua sabedoria que nunca foi e nunca poderá ser aconselhada por homens;
  • a glória de Sua autoridade sobre os céus e a terra e o inferno, sem cuja permissão nenhum homem ou demônio poderia mover-se um centímetro;
  • a glória de Sua providência sem a qual nem um pássaro cai no chão ou um único fio de cabelo se torna branco;
  • a glória de Sua palavra que sustenta o universo e mantém todos os átomos e moléculas juntos;
  • a glória de Seu poder para andar sobre a água, limpar leprosos, curar enfermos, abrir os olhos dos cegos, fazer com que o surdo ouça, parar tempestades com uma palavra, e ressuscitar os mortos;
  • a glória de Sua pureza sem pecado, ou sem qualquer atitude má de dois segundos ou qualquer pensamento mau;
  • a glória de Sua confiabilidade que nunca quebra Sua palavra ou deixa qualquer promessa cair no chão;
  • a glória de Sua justiça que faz com que toda responsabilidade moral no universo seja punida na cruz ou no inferno;
  • a glória de Sua paciência que suporta nossa estupidez década após década;
  • a glória de Sua soberana e escrava obediência ao abraçar a dor excruciante da cruz voluntariamente;
  • a glória de Sua ira que um dia fará com que as pessoas clamem às rochas das montanhas que caiam sobre elas;
  • a glória de Sua graça que justifica o ímpio; e
  • a glória de Seu amor que morre por nós mesmo enquanto éramos pecadores.
Como as pessoas viverão suas vidas de maneira que seus casamentos demonstrem a verdade, o valor, a beleza e a grandeza desta glória, quando elas não devotam quase nenhuma energia ou tempo em conhecer e apreciar esta glória?
                Talvez você consiga ver porque ao longo dos últimos trinta anos de ministério pastoral, passei a ver a missão de minha vida e a missão de nossa igreja em alguns termos muito básicos, a saber: Eu existo — nós existimos — para disseminar uma paixão pela supremacia de Deus em todas as coisas para a alegria de todos os povos. Esta é a nossa avaliação da necessidade. Até que haja uma paixão pela supremacia e pela glória de Deus nos corações das pessoas casadas, o casamento não será vivido para a glória de Deus.
                E não haverá uma paixão pela supremacia e pela glória de Deus nos corações das pessoas casadas até que Deus Mesmo, em Suas multiformes glórias, seja conhecido. E Ele não será conhecido em Suas multiformes glórias até que pastores e mestres falem a respeito d’Ele incansável, profunda, bíblica, fiel, distintiva, perfeita, e apaixonadamente. O casamento vivido para a glória de Deus será o fruto de igrejas permeadas pela glória de Deus.
                Então eu digo novamente: se queremos que o casamento glorifique a verdade, o valor, a beleza e a grandeza de Deus, devemos ensinar e pregar menos sobre casamento e mais sobre Deus. Não que preguemos demais sobre casamento, mas que pregamos muito pouco sobre Deus. Deus simplesmente não é magnificamente central nas vidas da maior parte de nosso povo. Ele não é o sol ao redor do qual todos os planetas de nossas vidas diárias são mantidos em órbita e encontram seus lugares apropriados determinados por Deus. Ele é mais como a lua, que aumenta e diminui, e você pode passar noites sem sequer pensar sobre Ele.
                Para a maior parte de nosso povo, Deus é marginal e centenas de boas coisas usurpam Seu lugar. Pensar que seus casamentos poderiam ser vividos para Sua glória ensinando-os as dinâmicas dos relacionamentos, quando a glória de Deus é tão periférica, é como esperar que o olho humano glorifique as estrelas quando não observamos o céu noturno e nunca compramos um telescópio.
                Então conhecer a Deus, apreciar a Deus e valorizar a glória de Deus sobre todas as coisas, incluindo seu cônjuge, é a chave para viver o casamento para a glória de Deus. É verdade no casamento, como em qualquer outro relacionamento: Deus é mais glorificado em nós quando nós estamos mais satisfeitos n’Ele.
                Eis aqui a chave que destranca mil portas. Satisfação superior em Deus sobre todas as coisas terrenas, incluindo seu cônjuge, sua saúde e sua própria vida (Salmo 63:3, ARA: “tua graça é melhor que a vida”) é a fonte da grande longanimidade sem a qual os maridos não podem amar como Cristo, e as esposas não podem seguir como a noiva de Cristo, a igreja. Efésios 5:22-25 deixa claro que os maridos devem inspirar seus papeis de liderança e amor em Cristo, e as esposas inspirar seus papeis de submissão e amor na devoção da igreja por quem Ele morreu. E ambos estes atos complementares de amor — liderar e submeter-se — são insustentáveis para a glória de Deus sem uma superior satisfação em tudo o que Deus é para nós em Cristo.
                Deixe-me dizer de outra maneira. Há dois níveis nos quais a glória de Deus pode brilhar a partir de um casamento cristão: Um é o nível estrutural quando ambos os cônjuges cumprem os papeis que Deus projetou para eles — o homem como um líder como Cristo, a esposa como partidária e seguidora desta liderança. Quando estes papeis são vividos, a glória do amor e da sabedoria de Deus e em Cristo é demonstrada para o mundo.
                Mas há outro nível mais profundo e fundamental onde a glória de Deus deve brilhar se estes papeis devem ser sustentados como Deus os projetou. O poder e o impulso para persistir na tarefa da renúncia pessoal e morte diária, mensal e anual que será necessária para amar uma esposa imperfeita e respeitar um marido imperfeito virá de uma satisfação em Deus que dá esperança e sustém a alma. Eu não acho que o amor por nossas esposas ou o amor delas por nós irá glorificar a Deus até que ele flua de um coração que se deleita em Deus mais do que no casamento.
                O casamento será preservado para a glória de Deus e moldado para a glória de Deus quando a glória de Deus for mais preciosa para nós do que o casamento. Quando podemos dizer com o apóstolo Paulo (em Filipenses 3:8), “considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor” (ARA) — quando podemos dizer isso sobre o casamento — sobre nosso marido ou nossa esposa — então esse casamento será vivido para a glória de Deus.
                Fecho tentando dizer isto de mais uma maneira, a saber, com um poema que escrevi para meu filho no dia de seu casamento.
Ame-a Mais e Ame-a Menos
Para Karsten Luke Piper
Por Ocasião de Seu Casamento com
Rochelle Ann Orvis
29 de Maio de 1995
O Deus que amamos, e em
Quem temos vivido, e quem tem sido
Nossa Rocha nestes vinte-e-dois bons anos
Contigo, agora nos propõe, com doces lágrimas,
Deixá-lo ir: “Deixará o homem
Seu pai e sua mãe, apegar-se-á
Então à sua mulher, e será
Uma livre e desembaraçada carne.”
Esta é a palavra de Deus hoje,
E estamos contentes em obedecer.
Pois Deus lhe deu uma noiva
Que responde a cada oração que clamamos
Por mais de vinte anos, nosso clamor
Por ti, antes que soubéssemos o nome dela.
Agora pedes que eu escreva
Um poema — algo arriscado, à luz
Do que tu sabes: que estou mais para
O pregador do que para o poeta ou
O artista. Estou honrado por
Sua bravura, portanto obedeço.
Não reclamo destas doces limitações
De pares de rima e linhas metradas.
São velhos amigos. Eles gostam quando
Lhes peço que me ajudem mais uma vez
A dar forma aos sentimentos
E mantê-los duráveis e calorosos.
Então nos encontramos recentemente,
E fizemos um dilúvio de amor e louvor
E conselho do coração de um pai
Fluir das orlas da arte.
Eis aqui uma porção da corrente,
Filho meu: um sermão poema. Seu tema:
Uma dupla regra do amor que choca;
Uma doutrina em um paradoxo:
Se agora queres abençoar tua esposa,
Então ame-a mais e ame-a menos.
Se nos anos porvir, por alguma
Estranha providência de Deus, você venha
A ter as riquezas deste século,
E, sem dor, caminhar a passos largos
Ao lado de sua esposa, certifique-se com sua vida
De amá-la, ame-a mais do que a riqueza.
E se tua vida está entrelaçada em
Uma centena de amizades, e teceres
Um tecido de festa a partir de todos
Os doces afetos, grandes e pequenos,
Certifique-se, não importando o quanto rasgue,
De amá-la, ame-a mais do que os amigos.
E se chegar um ponto quando você
Estiver cansado, e a misericórdia sussurrar: “Faça
Um favor a si mesmo. Venha, seja livre;
Abrace os confortos aqui comigo.”
Saiba disto! Sua esposa vale mais do que estas coisas.
Então ame-a, ame-a mais do que a tranquilidade.
E quando teu leito nupcial é puro,
E não há o mais leve encanto
De luxúria por ninguém que não seja tua esposa,
E tudo é êxtase na vida,
Um segredo tudo isso protege:
Vá amá-la, ame-a mais que o sexo.
E se teu gosto se tornar refinado,
E fores movido pelo que a mente
Do homem pode criar, e fascinado por
Sua destreza, lembre-se que o “por que”
De toda esta obra está no coração;
Então ame-a, ame-a mais do que a arte.
E se tua for algum dia
A destreza que todos os críticos concordam
Ser digna de grande estima,
E as vendas excedam seus sonhos mais loucos,
Cuidado com os perigos de um nome.
E ame-a, ame-a mais do que a fama.
E se, para tua surpresa, não minha,
Deus lhe chamar por algum estranho desígnio
Para arriscar tua vida por alguma grande causa,
Não deixe com que o medo nem o amor lhe pare,
E quando enfrentares o portão da morte,
Então ame-a, ame-a mais que o fôlego.
Sim, ame-a, ame-a, mais que a vida;
Ah, ame a mulher chamada de tua esposa.
Vá amá-la com o melhor que tendes na terra.
Mas além disto, não se aventure. Mas, para que
Teu amor não se torne a ilusão de um tolo,
Certifique-se de amá-la menos do que a Deus.
Não é sábio ou gentil chamar
Um ídolo por doces nomes, e cair,
Como em humildade, diante
Em igualdade com teu Deus. Adore
Acima de sua mais amada na terra
O único Deus que concede a ela valor.
E ela saberá em segundo lugar
Que teu grande amor também é graça
E que teus grandes afetos agora
Estão fluindo livremente de um voto
Firmado nestas promessas, feito primeiro
A ti por Deus. Nem desaparecerão
Por serem enraizados junto às correntes
Da Alegria Celestial, que tu estimas
E amas mais do que o fôlego e a vida,
Que possas dar isto à sua esposa.
O maior presente que dás a tua esposa
É amar a Deus acima da vida dela.
E então, lhe convido a santificar:
Ame-a mais amando-a menos.


Fonte: Voltemos ao evangelho



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