Sábado. Prisão para alguns. Descanso para outros

Mt 12:1-14


Guardar o sábado era um mandamento seríssimo. Isto é tão verdade que um rapaz foi morto simplesmente por ter apanhado lenha neste dia (Nm 15:35). E a ordem para que tal punição fosse efetuada não veio de Moisés e sim do próprio Deus. Enquanto Israel estava no deserto eles tinham que colher porção dobrada de maná na sexta para não terem necessidade de assim fazê-lo no sábado. E em Ne 13 Neemias profetiza maldição sobre o povo porque estava fazendo comercio e trabalhando em no sétimo dia da semana.
No entanto, Jesus vem e efetua uma colheita e o trabalho de curar um homem no sábado e é acusado pelos fariseus de estar profanando o dia sagrado, mas Ele mesmo responde que não estava pecando quando assim o fez: “Mas se vós soubésseis o que significa: misericórdia quero e não holocaustos, não teríeis condenado inocentes” (Mt 12:7).
Alguns explicam esta atitude de Jesus dizendo que ele aboliu o sábado e por isto não estava pecando. É um fato histórico evidenciado por Paulo (Rm 14:5) que a igreja primitiva não guardou o sábado conforme os costumes judaicos, mas antes que isto acontecesse Jesus o guardou sim, pois para que Ele pudesse salvar toda a humanidade cometia a ele que guardasse todos os mandamentos da lei, inclusive o sábado (Mt 5:17). O fato é que quem não estava cumprindo o mandamento eram os fariseus, que como sempre estava constantemente interpretando errado o que Deus havia dito: “Errais, não conhecendo as Escrituras” (Mt 22:29) foi o que Cristo disse acerca deles.
Se Jesus não pecou o que explica esta aparente discrepância entre a ordem de não colheita e não efetuar obra no sábado e o que Jesus realizou?

1-A coisa mais sagrada para Deus é o homem
Mc 2:27 “O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado”.
Todos os mandamentos foram feitos para o próprio bem do homem e não para o seu mal. Por que não matar, não adulterar? Porque deste modo estaremos evitando de ferir o próximo, sendo assim quando agimos de acordo com o decálogo estamos fazendo bem aos outros e a nós mesmos. O mesmo vale para o sábado que tinha sido instituído para guardar o homem de se matar trabalhando todos os dias e também era dia de cultuar a Deus. O sábado era para descanso. Mas que descanso se poder ter com fome e doente?
Agora veja, se os discípulos que não tinham tempo nem para comer (Mc 6:31) porque estavam ocupados fazendo o bem aos outros, você acha que eles teriam tempo para colher porção dobrado na sexta? Claro que não. Diz a bíblia que Davi também comeu do pão sagrado que era licito apenas ao sacerdote e ainda assim não pecou. Por que? Davi tinha fugido as pressas de Saul que queria matá-lo, portanto não teve tempo de fazer a marmita, sendo assim, para salvar a coisa mais sagrada para Deus, a vida, ele comeu o pão sagrado. Deus deixou uma ordem: que ninguém coma comida com sangue. Por que? Porque o sangue é vida e a vida é sagrada. Mais sagrado que o sábado era a vida dos discípulos e mais sagrado que o pão era Davi. O sábado era para descanso, que descanso a pessoa tinha com a barriga vazia?
O mandamento de não separar foi instituído para o bem do homem, pois principalmente os judeus tinham o costume de se divorciarem por qualquer coisa. Uma queimada no feijão já era motivo de desquite. E naquela época ninguém queria casar com mulher desquitada, sendo assim a ordem: “o que Deus ajuntou não separe o homem” era uma baita de uma proteção. No entanto, se uma mulher está sendo espancada e maltratada constantemente pelo marido, para ter descanso é melhor que ela se aparte, pois o mandamento foi feito para o bem do homem e não para servir de prisão.
Mas um fariseu via um homem faminto a beira das espigas e dizia:“Deixa morrer, por amor a Deus”. Como alguns pastores que olham para mulheres oprimidas por monstros e dizem: “Não se separe, morra, mas morra fiel a Deus”.
Eu sei que alguns podem usar isto que falo para o mal. Mas não vou deixar de pregar a verdade por causa de gente maldosa que quer sempre ajeitar a palavra de Deus as suas conveniências, como Paulo que não abriu mão de dizer: “onde abundou o pecado superabundou a graça” só porque algumas pessoas distorciam o que ele falava e usavam este versículo para praticarem a licenciosidade. Sigamos o conselho do apóstolo: “fostes chamados à liberdade, porem não useis da liberdade para dar ocasião à carne” (Gl 5:13).
Não há nenhuma lei ou regra que seja mais importante que o ser humano. Mas a religião humana é expert em sacralizar o que não é para se sacralizar. Quando um judeu queria fazer um juramento ele trazia uma oferta, colocava-a sobre o altar e então fazia o seu pacto. Mas alguns deles selavam o juramento, jurando pela oferta que haviam colocado sobre o altar. Então Jesus diz: O que é mais importante: a oferta ou o altar que santifica a oferta?” Claro que é o altar. Entretanto, eles invertiam as coisas. Uma alma vale mais do que o mundo inteiro. Que os peixes, que os animais e até mesmo que as leis deste mundo. Mas o fariseu prefere honrar a Deus e ver o homem morrer. Tolice, pois a maior honra a Deus é quando vemos e fazemos o bem do próximo.
Mt 12:7 “Misericórdia quero e não holocaustos”. Ou seja, o que mais me honra, diz o Senhor, é atitudes de amor e não rituais. Mas quem instituiu os rituais? Deus. Sim, mas os fariseus não entenderam que os rituais eram apenas um símbolo para estimular a bondade. É como o anel de aliança. De que adianta carregá-lo no dedo e não ter amor no meu coração? De que adiante ser tão sagrado não hora ritual, se no momento de fazer o bem ao homem doente e alimentar o faminto vocês pecam?

2-A maior honra a Deus é quando fazemos o bem ao próximo
Os fariseus achavam que era pecado curar alguém no sábado, visto que isto era um trabalho, uma obra. Então Jesus afirma “é lícito, nos sábados, fazer o bem” (Mt 12:10). Em nome de Deus os fariseus deixavam de fazer o bem. Em nome do sagrado, deixavam as pessoas morrerem a beira do caminho. Pastores que estão vendo suas famílias arrebentadas e se desculpam dizendo que não tempo para elas porque estão fazendo a obra e a Igreja que Em nome da honra da cruz, instituiu as cruzadas e assim matou um monte de gente.
A religião humana sempre oprime. Em nome de Deus eles fazem as maiores barbáries. Em nome da honra a Deus eles fazem o mal. “Venha e dê todo o seu dinheiro. Dê até o que não tem, faça empréstimos para dar”, dizem alguns ministros, “você vai passar necessidade, mas não importa, o importante é honrar a Deus”. O que honra a Deus de verdade é ver você de barriga cheia. Mas estes pastores querem ver o povo de estômago vazio, para que eles tenham os bolsos cheios (Mt 23:14). “Misericórdia quero e não holocaustos”. O holocausto antes de ser queimado tinha que ser esfolado. A religião humana assim como os fariseus gostam é de holocaustos, querem ver o cara esfolado, endividando, mas honrando a Deus.
O Talmude era o livro sagrado dos judeus que continham as interpretações da Lei, que quase sempre se tornavam mais importantes que a própria Lei. Para não correm o risco de o povo pecar instituíam algumas regras como por exemplo, que um judeu só podia caminhar um Km no sábado. Parecido com muitas igrejas não que parecem mais zelosos mais zelosos que o próprio Deus ao criarem regras que Deus nunca determinou como o tipo da roupa, a proibição de esportes comida e até de coca-cola. Sábado é o dia da graça, da liberdade, do descanso, mas eles conseguiram transformá-lo em dia de prisão. A religião de Jesus é o sábado. Nosso Mestre está aí, livre, curando, comendo e os fariseus embirrados. Eles tinham um problema tremendo com o sábado porque tinham um problema terrível com a graça.
Os judeus queriam matar Jesus (MT 12:14) porque o julgavam um profano, do sábado e do templo. No dia em que Cristo foi levado ao sinédrio (o tribunal dos fariseus) o que foi lançado para acusar Jesus foi, segundo eles, que Cristo profanou também o templo ao dizer que ele seria destruído. Eles diziam que Cristo era profano ao não respeitar as duas coisas mais sagradas para os judeus, mas Cristo diz que os fariseus é que eram profanos por não guardarem a coisa mais sagrada para Deus, a vida humana. É por estas e outras que os fariseus não amavam a Deus nada e que a religião verdadeira não se acha num sábado e nem em um templo sagrado, mas num samaritano ritualmente impuro, mas que se sacrifica pelo próximo, pois a maior prova de zelo por Deus é o nosso zelo pelo homem (I Jo 4:20).
Quando agimos pelo amor nunca pecamos: “o fruto do espírito é amor, alegria… Contra estas coisas não há lei” (Gl 5:23). Diz a bíblia que Sifrá e Puá mentiram para salvar a vida de muitos hebreus e por conta disto Deus as abençoou e lhes constitui família.

3-O que mais alegra a Deus é ver alegria em nós
Ao olhar par um Deus assim que sacraliza o ser – humano é que a gente percebe o quanto Ele nos ama. Eu pensava que o mandamento havia sido instituído para honra e glorificar a Deus. Mas Jesus vem e diz que o mandamento foi feito para o homem e que a maior glorificação do Criador, acontece no momento que as suas criaturas estão saradas e satisfeitas.
Desde o Éden o diabo quer dizer que Deus não é bom: “Que Deus é este? Não pode isto e nem aquilo?”, é um tirano diz o diabo. Mas não, Ele é um pai amoroso que tem o melhor para nós, que não nos fez como um robô, mas nos dá a opção de escolher: “Fiz a arvore do conhecimento para que você tivesse a opção de não andar comigo e não para te privar de algum prazer, porque ao meu lado você terá arvore da vida”.
Ele é o Deus que nos ama, que morreu por nós, sofreu por nós. Que vê o leproso purulento e se vê “profundamente compadecido”. É o Deus-Pai que sai correndo em nossa direção quando vê o prodigo sujo, mas arrependido. Que deixou as noventa e nove ovelhas ( o céu, os anjos a glória) para ir atrás de uma única ovelha porque para ele uma alma vale mais do que o mundo inteiro.

Autor: Pr. Rodrigo David Mocellin 


Pastor Joio ou Pastor Trigo

MT 13:24-25 “Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo; mas, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo dele, semeou o joio no meio do trigo e retirou-se”.


Jesus já disse que nos últimos tempos, viriam muitos em seu nome e enganariam a muitos. Ora, a melhor maneira do falso enganar é se parecendo com o verdadeiro. Daí então Cristo usar a parábola do joio no meio do trigo para exemplificar os falsos profetas. A similaridade é tão grande que a Wikipédia, enciclopédia virtual, define a relação dos dois da seguinte maneira: “A semelhança entre essas duas plantas é tão grande, que em algumas regiões costuma-se denominar o joio como ‘falso trigo’ ”.


Assim como o diabo semeou o joio no meio do trigo, ele continua a plantar falsos profetas no meio da igreja. Judas saiu da onde? Do meio dos apóstolos. Os hereges da história da igreja sempre saíram de dentro da igreja e Pedro afirmou que: “assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres”. (II Pd 2:1). Veja, o joio está sempre no meio do povo.
Assim como o diabo citou a bíblia para tentar enganar Jesus, muitos pastores citam a bíblia para pregar heresias. Estão no meio da gente, lêem a mesma bíblia que nós e olhando por talvez digamos: “É trigo!”, mas não, é “falso trigo”. Não se engane, o lobo vem sempre vestido como ovelha. O diabo sempre se apresenta como anjo de luz. E o joio é idêntico ao trigo, mas ainda assim não tem nada a ver com o trigo.

Como identificar um pastor joio para um pastor trigo? Um homem de Deus para um falso profeta?

1-Joio faz de tudo para estar por cima. O trigo sempre se dobra

Jesus disse que somente na hora da colheita, ou seja, que estavam maduros e crescidos é que poderíamos identificar o joio do trigo. Isto é verdadeiro por que você sabia que conforme o joio cresce para cima enquanto que o trigo cresce para baixo? Ou seja, o joio vai ficando em pé quanto cresce, enquanto que o trigo vai se dobrando conforme amadurece.
E se na natureza é assim, quanto mais na igreja. A uns dez anos surgiu no meio uma banda evangélica que se tornou um frisom. Arrastavam multidões no Brasil e exterior e levavam as pessoas ao delírio com testemunhos recheados de visões, anjos e uma infinidade de outras coisas miraculosas. Em algumas reuniões um dos lideres contando que estava ouvindo o som do anjo. Diante disso, muitas e muitas pessoas começavam a rolar no chão, chorar, gritar e por aí vai. No entanto, este ano o líder do grupo veio a publico e declarou: “Eu menti. Grande parte dos testemunhos não eram verdadeiros”.
Por que alguém faz algo como isto? É que o joio faz qualquer coisa para estar por cima. Para ganhar o mundo ele vende até a alma até vender a alma. Talvez este rapaz até seja trigo, mas estava agindo como joio.
E isto é apenas um exemplo, mas há pastores que abrem mão de seus valores, que comercializam a fé e muitas outras atitudes desesperadas de encher a igreja custe o que custar. Para se sentir um vencedor vale tudo, até dar o que o povo quer, mas que a gente sabe que não é o evangelho. Olha o que o povo disse para o profeta Isaias: “Não tenhas visões; e aos profetas: não profetizeis para nós o que é reto; dizei-nos coisas aprazíveis, profetizai-nos ilusões”. (Is 30:10).
Sabe por que o povo gosta do pirata? É parecido, só que é mais barato.


Joio fala de si. Homem de Deus fala de Cristo


Esta e outra maneira para o joio se engrandecer. E ta aí a prova de que ele é falso, pois Cristo afirmou: Se eu testifico a respeito de mim mesmo, o meu testemunho não é verdadeiro” (Jo5:21).
Quando perguntaram a João Batista se ele era Elias que estava para vir, ele apenas disse: “Eu não sou Elias, Ezequiel, eu não sou nada, sou apenas uma voz.” (Jo 1:23). Mas Jesus, todavia, afirmou sim que ele era Elias que estava para vir (Mt 17:12-13). Quem é de Deus de verdade, sabe que convém que Cristo cresça e que nós diminuamos.
E aqui não estou pregando falsa humildade, daqueles que vivem dizendo com a boca: “Eu não sou nada”, ao mesmo tempo em que sentem no coração: “Eu sou o máximo”. O arrogante só fala de si. O falso humilde diz que ele não é nada. O humilde de verdade não diz nada sobre si. Em seu evangelho Mateus menciona seu nome apenas duas vezes. Nas duas se dizendo como coletor de impostos. João nem mesmo menciona seu nome, apenas se declara como “o outro discípulo” ou o “discípulo a quem Jesus amava”. Lucas escreveu dos livros, mas nenhuma vez o seu nome.
Por que tais homens gostam de falar de si? Para criar dependência, levando o povo a crer que eles só terão a benção caso o pastor.poderoso ore por elas.
Sempre que a motivação for egoísta, vai surgir joio. Onde houver um líder que deseja usar o trigo para se auto-promover, usar a conversão de almas para lhe trazer fama, vai haver praga.


2-Joio faz o bem a si. Trigo faz o bem ao próximo

Como todas as pragas, o joio não serve pra nada, só existe para sugar energia do trigo. O trigo por sua vez vira farinha que serve se alimento para muitos.
O joio só deseja crescer nas costas do trigo. Assim como muitos pastores que só querem usar as ovelhas para sua sede de conquista pessoal. São como Judas disse, “pastores que a a si mesmos se apascentam” (Jd 1:12). Jesus morreu pelo povo, mas os lideres atuais querem que o povo morra por eles.

3- Joio existe para ser servido. Trigo existe para servir.

Isto é uma outra maneira de expressar o que já falei no segundo principio, pois em Jo 12:24 Jesus diz que ele é o trigo que caiu na terra para morrer e dar vida a muitos, totalmente diferente do pastor joio. Se o bom pastor dá a vida pelas ovelhas, o mau toma.
Jesus olha para os discipulos e diz: Eu vos farei pescadores de homens. Os pastores joio olham para o povo e dizem: Vocês farão de mim um sucesso.
Jesus olha para o povo e israel e clama: “Como eu quis ajuntar vocês como a galinha ajunta os seus pintinhos para protegê-los”.
Os pastores-joio: “Como eu quero ajuntar vocês, pois darão uma bela sopa de frango”.

4-Joio é veneno. Trigo é alimento

Mt 12:30 “Quem não é por mim é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha”.
Não existe nada neutro no mundo espiritual; ou abençoa ou amaldiçoa. Você não pode comer a comida oferecida pelos pastores-joio sem passar mal, porque joio é uma erva-daninha, uma praga que colhida junto com o trigo pode fazer perder toda a colheita.
Em I Co 10:20 Paulo não queria que os coríntios comessem comida sacrificada aos deus, porque na realidade era comida de demônios. E ao se alimentar com demônio, é claro que iremos ter uma congestão. Você já reparou como são problemáticas e doentes as pessoas que andam com pastores-joio?
Autor: Pr. Rodrigo David Mocellin